...e depois, com bigodes de leite, pedem mais paciência e esforço ao povo, que a "vaca 'tá seca".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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The Shootings of May Third 1808, Goya 1814

SER CIVILIZADO SIGNIFICA SABER
QUE SE É POTENCIALMENTE BÁRBARO
Pascal Bruckner
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

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GOVERNAR É
CRIAR CONDIÇÕES PARA GOVERNAR.
António José de Almeida
Ministro, Presidente do Conselho e Presidente da República

Há 2 formas de ler a mensagem, uma benigna (e é essa que lhe atribuem), e outra nem tanto: usar o poder para mantê-lo.

MAIS UMA VOLTA NO CARROSSEL


O governo mudou e vão-se sentindo agora as ondas de choque nos lugares públicos: entram uns, saem outros. Para umas bandas, a maré enche, para outras bandas, o mar vaza. Até o carrossel dar uma volta e trocarem de posição. Como o slogan da TMN, é um 'Até Já'.

Falei há dias com um amigo beirão, que está desmotivado: concluiu ele que a política é 'pequenina', e que o PS é igual ao PSD e ao CDS. Isso não invalida que o meu amigo passe pelo congresso do partido e vá a uns jantares - mas de raspão, disse. Convém esclarecer que, com peso político familiar e próprio, foi dirigente de 2 organismos públicos até à presente praia-mar... para a sua banda.

E para onde vai essa gente? Discuti o assunto com outro amigo, a propósito do espião contratado pela ongoing. Eu concordo com a proposta comunista de legislar um período de nojo para agentes das secretas, como para os governantes - estes não devem saltar prontamente para empresas de àreas que tutelam: se os meninos não se sabem comportar, há que impor regras. O meu amigo discorda, diz que não é a lei que resolve o problema, é uma questão de consciência e de boa-fé, e fez 2 perguntas muito pertinentes: uma pessoa que sempre trabalhou na área do ambiente, aceita ser ministro da pasta e depois não pode regressar ao sector? Conta o depois mas não o antes, i.e., proíbe-se que um ministro das obras públicas vá para a soares da costa, mas já não há conflito de interesses se chegar a ministro directamente da mota-engil?
Não é irrelevante o facto deste compincha ser eleito para um cargo político executivo, vê o assunto do lado de lá.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MUITA QUILOMETRAGEM

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SER VELHO É A PALAVRA "IMPOTENTE" ALARGADA.

O MEU SONHO ERÓTICO ERA DEITAR-ME NUMA BANHEIRA CHEIA DE TROUXAS DE OVOS E CALDA.

João Cutileiro, Única 24.9.11

MOSTEIRO DE LEÇA DO BALIO






A 1 légua da Sé do Porto, para as bandas da foz do Leça, no local onde houvera um templo romano dedicado a Júpiter, ergueu-se um mosteiro no séc. X. Parece que o primeiro registo da sua existência data de 18.3.1003, quando uma tal de Flamula Vigilia legou em testamento uma herdade aos presbíteros, frades e freiras.
O mosteiro beneditino, localizado no caminho de Santiago, era um dos mosteiros mais importantes do Condado Portucalense, a par de Santo Tirso, Arouca e Pendorada.
Depois de alguns anos sob a alçada do bispado de Coimbra, oferta de D. Urraca em 1094, a irmã D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, entregou o mosteiro entre 1112 e 1128 à 1ª ordem militar que se cá instalou, a dos Religiosos Cavaleiros do Hospital de S. João de Jerusalém (Ordem de Malta a partir do séc. XVI) - a propósito, a palavra ba(i)lio corresponde a uma comenda de cavaleiro. Em 1157, o rei fundador doou ao mosteiro as terras circundantes, tendo esse couto sido confirmado em 1166:
'Consta do Tombo deste Baliado dar o Senhor Rey Dom Affonso Henriques esta igreja a Dom Raimundo (conde e senhor da Galiza) Provedor dos Santos e pobres da Santa Cidade de Jerusalém e a Dom Ayres Prior de Portugal e Galiza e lhe deo terras e pençoens e lhas coutou no ano de 1166 e lhe deo jurisdiçam Cível e poder de pôr ouvidor que conhecesse de apellaçooens e agravos e alimpasse pautas e confirmasse peno povo na camera destedito Couto de Lessa e assim sam os venerandos Balios senhores donatáríos e capitaens deste Couto'

Por algum tempo lá viveram Afonso Henriques e Sancho I, mas a data mais marcante da história monacal é 15 de Maio de 1372, quando D. Fernando ali desposou Leonor Teles - longe duma irada Lisboa, que não aceitava o casório (e o futuro deu-lhe razão): o rei incumpriu as promessas sucessivas de casar com as infantas Leonor de Aragão e Leonor de Castela, embeiçando-se por outra Leonor (sobrinha do conde de Barcelos e descendente de Sancho I e dum rei das Astúrias e Leão), com um problemazito, era mulher do fidalgo João Lourenço da Cunha - a anulação papal desse matrimónio foi fácil, mas o povo de Lisboa, Santarém, Leiria, Tomar e Montemor-o-Velho levantou-se contra a ideia duma união entre a 'aleivosa', como ficou conhecida, e o rei que ela enfeitiçara...
Renovado nos séc. XII (por Gualdim Paes, em 1180, sendo então dedicado a Santa Maria) e XIV (em 1330-36, pelo prior Estevão Vasques Pimentel), o exemplar de igreja-fortaleza combina os estilos românico e gótico.
O aspecto actual, deve-o à Direcção Geral dos Monumentos Históricos, que empreendeu um restauro profundo do mosteiro na década de 1930, ao fim de 100 anos de definhamento, após a extinção das ordens religiosas em 1834: a casa tinha uso privado, a igreja estava cheia de entulho e as janelas góticas estavam quadradas. Obras de beneficiação, desde 1996, devem-se ao mecenato da Unicer, cuja fábrica fica não muito longe.
Foi considerado monumento nacional em Junho de 1910, no estertor da monarquia.

sábado, 24 de setembro de 2011

VIDA SOCIAL



Estúpido!, chamou-me a minha filha, a propósito de qualquer coisa, quando eu saí da sala. Voltei atrás e dei-lhe umas furiosas nalgadas, como um metrónomo, enquanto ensinava "é-a-úl-ti-ma-vez que me chamas nomes, 'tás a ouvir?".
Mandei-a googlar e copiar o significado de respeito.
Assim escreveu "1. sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém; 2. Apreço, consideração, deferência, obediência, submissão, temor, medo; 3. Temor do que os outros podem pensar de nós" (não sei explicar melhor, mas parece-me uma má tradução da palavra).
- Percebes o que escreveste? A tua tia não tem filhos e vai para o Brazil e para a festa da cerveja de Munique, sai à noite, vai ao teatro e ao cinema; nós escolhemos ter filhos, ganhamos umas coisas e abdicamos de outras por vocês, tás a ver? Agora, não somos iguais, eu devo criar-te e tu deves-me respeito, ok?
Espero que a troika apertão-redacção-sermão tenha servido...
A seguir, fui deixar os miúdos a casa duma amiga, para almoçar, e fui comprar uma prenda para um aniversário a que ela vai hoje. À minha frente na fila encontraram-se 2 amigos, que carregavam livros infantis:
- Olha, vim comprar um livro para o Rui levar a um aniversário.
- Pois. Eu estou na volta dos sábados de manhã, a comprar prendinhas para as festas da Rita. Levei-a agora a um teatro, tenho que ir buscá-la para ir almoçar com amiguinhas e à tarde tem outra festa... e amanhã outra.
É, os membros das famílias com a agenda social mais preenchida são os que ainda não têm carta de condução - curiosamente, geralmente são eles que 'conduzem'.

Memória fotográfica...


"MAS EU CONHEÇO ESTA VAÇA,
VI-A NA GOLEGÃ."

Cavaco Silva, então primeiro-ministro, na Ovibeja 91,
parando demoradamente junto a um expositor,
a fitar olhos nos olhos um bovídeo, 
e pasmando a vasta comitiva (Expresso de hoje)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

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Bill Brandt, Rainswept roofs, 1937

HÁ 3 TIPOS DE MENTIRAS:
AS PEQUENAS MENTIRAS,
AS GRANDES MENTIRAS...
E AS ESTATÍSTICAS.
Shafique Keshavjee
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

FOLLOW-UP


- Olá. Queria uma lixa, por favor.
Eu e o sr. da loja fitámo-nos por uns momentos, olhos nos olhos como num duelo de cowboys, à espera que o outro desenvolvesse a conversa.
- Para quê?
- Para lixar umas madeiras.
- Qual é o número que quer?
- Há de quantos a quantos?
- Há 50, 60, 100...
- A lixa mais fina tem o número mais baixo?
- Não, é o contrário. Quer uma 100?
- Ok. Levo 4.
E pronto. Lixei a mesa, ficou com um look 'casual red'. E, lá tinha que ser, comecei a pintar uma cadeira, mas ficou cheia de grumos - desconfio que devia ter deixado o pincel em diluente... Literalmente, que se lixe.
A empreitada do resto da 'mobília' foi ganhando ritmo, com o aumento da 'experiência' e o decréscimo da preocupação com o resultado - os meus valores são espirituais...
Ao som de Janis Joplin, custou menos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A PORTA DA RUA É A SERVENTIA DA CASA


O Montepio Geral - Associação Mutualista, organização criada em 1840 por empregados públicos, tem como fins e objectivos estatutários desenvolver acções de protecção social e da saúde, promover a cultura e melhorar a qualidade de vida dos seus associados. Como associação mutualista, não tem fins lucrativos, aplicando os lucros na prossecução dos seus fins e objectivos.
Poderia pensar-se, pois, que o Montepio fosse um banco diferente.
Não é. Notícia de ontem: o Montepio informou os 200 funcionários do Porto do (por si fagocitado) Finibanco que as instalações vão fechar, devendo apresentar-se na próxima segunda-feira nas instalações de Lisboa. Mais esclareceu o Montepio que, caso não estejam interessados em deslocar-se 300 km para sul, os trabalhadores sempre podem optar pela rescisão de contrato.

Como o Montepio, o Estado português também visa, entre outras coisas, a protecção social e melhorar a qualidade de vida dos seus 'associados'. É, não é?
Notícia de hoje: o Secretário de Estado Helder Rosalino informou os sindicatos que pretende diminuir o número de funcionários públicos, canalizando 140.000 pessoas para a mobilidade especial, cunhada durante o consulado socialista. Será diminuída a compensação (% do salário anterior) a quem esteja na 'bolsa' de disponíveis e uma das penalizações (castigos) previstas a quem recusar uma recolocação - independentemente da função ou do local - é ficar uma ano de licença sem vencimento... para pensar um bocadinho melhor.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

TRABALHO D´HOMEM


Diário dum jeitoso para a bricolagem
Tenho uma varanda ampla, onde nos sentamos para fumar. Em tempos, o meu cunhado sentou-se numa das cadeiras ao sentar-se e ela cedeu aos seus encantos calóricos. Fiz anos e quiseram levar-me ao IKEA para comprar outra. Quando lá cheguei, já estava escolhido: um conjunto de mesa, 2 cadeirões e uma cadeira corrida, em madeira.
- Não sei se a minha mulher aceita uma 'mobília' lá em casa, sem ter voto na matéria.
- Não sejas maluco, já tirei as medidas à tua varanda, cabe, e onde é que arranjas isto tudo por 99€?
Veio a mobília de jardim. A minha mais-que-tudo disse 'gosto', mas a maneira como respondeu (que os cônjuges têm o exclusivo de entender) fez soar o meu alarme, oh-oooh! Há coisas que os cônjuges têm o exclusivo de entender.
Bem, eu nunca teria aceite caso soubesse que não era uma prenda chave-na-mão e tivesse conhecimento das 'instruções' a tempo: é necessário pôr um produto para proteger da chuva e do sol, todos os anos - disse o meu cunhado depois de aparafusar o lego todo.
Fui comprar o dito: um monte de opções, acetinado, envernizado, teca, mogno, incolor, interior, exterior, interior/exterior. Levei à final duas latas, incolor para interior/exterior e mogno intempéries exterior. Para a invernia portuense, comprei o intempéries, claro.
Nada claro. Acabei de pintar a mesa (com um resultado algo adolescente), e não sei se continuo: por ora tenho 3 cadeiras castanho-pálido, discretas, e uma mesa vermelho-cerejeira.
O meu amor está quase a chegar e eu vou-me disfarçar de papel da parede...

p.s.: Li as instruções, é suposto dar 3 demãos. ahahah.
p.p.s.: Se alguma vez tiver um jardim, vai ter relva sintética e cadeiras de restaurante chinês, plastificadas.

AS DESCOBERTAS

LADO A



LADO B
UM BOCADINHO EQUIVOCADOS...
Nos relatos que o Gama e os seus homens prepararam com a ajuda de informadores locais, constava que a maioria dos reinos asiáticos era cristã. É certo que, pela amostra de Calicut, deveriam ser heréticos, ou estavam abastardados pela perda de contacto com os seus irmãos de fé. Com efeito, nas suas igrejas haviam "muitos, muitos santos [que] estavam pintados pelas paredes [...], os quais tinham diademas; e a sua pintura era em maneira diversa, porque os dentes eram tão grandes que saíam da boca uma polegada e cada santo tinha quatro ou cinco braços".
D. Manuel I, João Paulo Oliveira e Costa, Círculo de leitores

Será a Santa Maria Madalena?
Kali, mulher de Shiva, é a libertadora das almas

sábado, 17 de setembro de 2011

ACHTUNG! IDENTIFIQUE-SE

AS BANDEIRAS DOS PAÍSES
PECADORES DA DÍVIDA
PODERIAM SER COLOCADAS
A MEIA-HASTE
NOS EDIFÍCIOS DA UNIÃO EUROPEIA.
Gunther Oettinger, alemão Comissário Europeu da Energia
Bild, 9/9/2011

E que tal passarmos a usar uma braçadeira???
 "somente para judeus", Áustria 1938
Keystone/Hulton Archive/Getty Images

gueto de Kovno, Lituânia 1944
United States Holocaust Memorial Museum

judenrat, conselho judaico
Os judeus eram obrigados a usar em público a estrela de David, numa braçadeira ou presa na roupa.

Nos campos de concentração, triângulos identificavam os presos: amarelo para judeus, vermelhos para presos políticos, roxo para objectores de consciência como testemunhas de Jeová, rosa para homossexuais, verde para criminosos, castanho para ciganos, preto para lésbicas e mulheres "anti-sociais" (como grevistas e feministas...), azul para emigrantes. As letras geralmente indicavam a raça ou nacionalidade. (avidanofront.blogspot)

ilustração de livro infantil, Alemanha 1936 
títulos "os judeus são a causa do nosso infortúnio" e "como o judeu trapaceia"
United States Holocaust Memorial Museum

livro infantil "o cogumelo venenoso"
United States Holocaust Memorial Museum

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ISSO SÃO BOATOS


Acontece-me ir juntando 'clássicos' que ficam em stand-by, ultrapassados por outros livros mais actuais. Nestas férias, e porque não tinha livros novos, resolvi tirar o pó à prateleira, e ler 3 livros em português. Que recomendo.
O primeiro foi a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, um livro de aventuras quase juvenil, com terríveis alimárias e pérfidos corsários, e que se lê num instante. O curioso é que alguns estudos confirmam a plausibilidade da história, se calhar o Fernão, mentes? Minto! até contou verdade. Certo é que os nossos nautas de Quinhentos põem qualquer indiana jones a um canto.
Aqui descobri uma invectiva com muita aplicação "Vareja triste, nascida de mosca encharcada no mais sujo monturo que pode haver em masmorras de presos, jamais limpas; vareja triste, quem deu atrevimento à tua baixeza?".
A usar apenas no trânsito.

O meu preferido foi o segundo, Gabriela Cravo e Canela. Foi uma delícia rever as personagens enterradas na memória mais remota, da primeira novela vista em Portugal, que chegou a parar o parlamento. Não sei é como fizeram uma novela duma história com pastéis, coronéis e bordéis, cujas primeiras 100 páginas decorrem no mesmo dia.
Um pequeno aperitivo: quando Nacib, o 'moço bonito', substitui a sensual Gabriela pelo chique chef de cuisine Fernand, foi este o veredito da clientela sobre a comida "- Muito bom, mas não presta". De antologia.
Absolutamente imperdível.

O terceiro foi mais complicado, os Serões de Província. O rendilhado do 'paisagista' Júlio Dinis, por vezes forçado, nada tem a ver com um escorreitíssimo Eça. Isto para dizer que, não querendo deixar a meio o livro de contos folhetinescos (amiúde são invocadas as leitoras, o que não é o meu caso) sobre peles alvas e trigueiras e sobre o Minho, esse 'vasto cabaz a transbordar de verdura e de flores', foi com espírito de missão que fui lendo a obra folhetinesca.
Até chegar ao divertido conto O espólio do Sr. Cipriano, com uma mui pertinente dissertação inicial sobre a 'opinião pública' e a metamorfose colectiva do boato na mais cristalina verdade: pois o dito morre, e a miserável irmã quase não o consegue enterrar de graça, porque corria o boato sobre a fortuna do semítico falecido, vinténs que ninguém conseguiu vislumbrar. Momentos antes da esfomeada e caquéctica velha expirar, o (tão miserável como ela) sobrinho de Maquelina reuniu a custo alguns cavacos já meio queimados para acender o lume. Em busca de acendalha, a tia perguntou-lhe "Achaste carqueja?". Não havendo, a agonizante idosa exclama "Valha-me Deus. Olha, sabes, aí... na gaveta do toucador... está uma papelada de que... às vezes me sirvo para economizar. Acende alguma na lamparina e..." Ora, os papeis que a iletrada fora queimando eram, nada mais, nada menos, notas de banco que o mano deixara, e sempre dissera nada valerem...
Onde há fumo, há fogo.  

AQUI JAZ O EDUQUÊS


Há uns anos, governava (?) o Guterres, germinou a ideia que os alunos, para aprender, deviam ser seduzidos, que a educação era um processo quase negocial, e que se um aluno chumbava, era o professor que devia explicações.
Esse tempo acabou.

Fui ontem à reunião de recepção dos pais dos novos alunos do 'ciclo', como é o meu caso e o do meu parceiro do lado, com os braços tatuados do ombro ao pulso. A directora dos directores de turma - que levantava o sobrolho a cada interrupção, pois os pais foram chegando às pinguinhas, uns insurrectos - agraciou-nos com um powerpoint, sobre o bértice (sic) aluno-pai-professor e essencialmente sobre disciplina que, dizem os últimos estudos, tem o condon (sic) de desenvolver o cérebro.
Uma dos chavões dizia que "estranhos preconceitos e falsas ideias pedagógicas" arguiam que a disciplina não era imprescindível.
Mais explicou a senhora que 30% da nota final* resulta, não da aprendizagem, mas das atitudes e comportamentos, e deu o exemplo da mania dos porquês: se dá uma ordem e um aluno pergunta porquê, responde 'porque sou mais velha', e só o esclarece dias mais tarde, porque 'as ordens são para se cumprir, não para se questionar'.
Shiuuuu, aqui quem manda sou eu.

* Outra parcela tem a ver com listas de verificação, a saber, a revista da mochila para verificar se o menino leva tudo, tipo revista à caserna.

domingo, 11 de setembro de 2011

9.11.2001 MANHÃ SANGRENTA

               08.46h Avião AA11 colide com a torre norte do WTC
               09.03h Avião UA175 colide com a torre sul
               09.37h Avião AA77 atinge o Pentágono
               09.59h Cai torre sul
               10.03h Passageiros fazem cair avião UA93 na Pensilvânia
               10.28h Cai torre norte
               (+5h em Portugal)


                                                                                                                          National Park Service

                                                                                                                                              NASA

O fotógrafo Thomas Hoepker/Magnum só divulgou esta polémica foto em 2006.
Falsa indiferença, defenderam-se os protagonistas. 

                                                                                                                    Mario Tama/Getty Images
Morreram 343 bombeiros, 60 polícias e 8 membros das equipas médicas

Das 2977 vítimas (excluídos os 19 terroristas),
mais de 200 escolheram saltar para a morte



                                                                                                                 Richard Drew/AP
Jonathan Briley, de 43 anos, trabalhava no restaurante
Windows of the World, no topo da torre norte
da sequência angustiante de 12 fotos, esta não mostra trambolhões,
mas uma queda 'determinada' e alinhada com a separação das 2 torres 

                                                                                                            Stan Honda/AFP
Marcy Borders, Bank of America, 81º andar tda orre norte
ao fim de 10 anos, superou as drogas e o álcool e voltou
para o marido e filhas
ainda guarda a roupa suja num saco

                                                                                                        Stan Honda/AFP
Edward Fine, estava no 78º da torre norte
perdeu 40% da audição e ainda usa o fato

                                                                                                           Paul J. Richards/AFP 
O chefe de gabinete Andrew Card segreda:
"Um 2º avião atingiu a outra torre. A América está a ser atacada."

Projecto do novo WTC (conclusão 2010-2015)

domingo, 4 de setembro de 2011

PUÂÂÂRTO (V) - NO INÍCIO ERA O MORRO DOS VENDAVAIS

O Porto 'aconteceu' no morro da pena ventosa, por volta do séc. VIII ac. Por lá passaram romanos (séc. II ac-I dc), suevos (séc. V), visigodos (585), muçulmanos (716), cristãos (750), os mouros de Almançor (1000), normandos (990) e vikingues (1014).
A primeira defesa era a cerca velha ou muralha românica, construída no séc. III e reconstruída no séc. XII. Tinha 4 portas, demolidas no séc. XIX, e 750 metros.
Mas a terra desceu para o rio. No séc. XIV, Afonso IV apanhou um susto: os castelhanos desceram pelo Minho e, não fossem as hostes dos bispos do Porto e Braga terem-nos travado em Leça, tomariam a cidade numa penada.
Vai daí, mandou erguer nova muralha em 1336, tendo a mesma sido concluída 40 anos depois, no reinado do neto - ganhando assim o nome de muralha fernandina.

O tamanho da cerca nova ou muralha gótica mostram o crescimento da urbe: 2600 metros, com 8 portas e 9 postigos. Subia junto a Miragaia até ao morro do olival (próximo da cadeia da relação), descia a calçada dos clérigos, passava onde estão o palácio das cardosas e a estação de S. Bento, subia até ao teatro de S. João, e descia para o rio nos guindais. O séc. XIX foi especialmente demolidor, a muralha e as portas deram lugar a ruas e edifícios: viva o progresso! Resultado, sobraram uns trechos da muralha (os 2 maiores junto a Santa Clara e em S. João Novo) e apenas um postigo, o do carvão, a jusante da praça da ribeira.
Com restauro, mas ou menos criativo: em 1920 e 1960 a muralha nova, e em 1940, como muitos edifícios históricos post-it da heroicidade lusitana, o restauro salazarista do bocadinho que sobrou da cerca velha e a construção de edifícios do zero - como a torre da rua de Pedro Pitões, presenteada com um balcão gótico e deslocada um bocadinho mais para baixo do local onde foram descobertos os seus vestígios.

No epicentro da cidade velha, ergue-se a Sé, desde o século XII. Nitidamente românica, também lá se encontram traços góticos (como os claustros - sem os azulejos, claro) e barrocos - surpresa nenhuma, a talha dourada 'parasitou' a generalidade das igrejas nacionais.
Relativamente pequena, como os seus claustros - para mais num senhorio do bispo até 1406 (o rei tinha até então que pedir licença para lá pernoitar; aos nobres era vedado ter casa ou pernoitar mais que 3 dias, até 1509)-, tem um altar de prata que foi engessado durante as invasões napoléonicas, para poupá-lo da gula francesa.



Claustros (séc. XIV)


Cerca velha


Estátua de Vimara Peres (868)
1º conde de Portucale e fundador de Guimarães
Torre dos Clérigos (1754-63)
Câmara, Irmandade de Sto. António
dos Congregados e estação de S. Bento
Muralha fernandina, Serra do Pilar (Gaia) e ponte D. Luiz

Torre da rua de Pedro Pitões

Pelourinho de 1945 e Paço episcopal (dta.)
O amplo terreiro da Sé foi criado em 1940 à custa dos quarteirões medievais,
obrigando à transferência da Capela dos Alfaiates e ao desaparecimento
da cadeia do bispo, da casa do Conde de Castelo de Paiva, do largo
do açougue e das ruas das Tendas, do Faval e da Francisca
Gaia

Casa-museu Gerra Junqueiro
(Rua de D. Hugo, traseiras da Sé)
Pano de Santa Clara